Bodas de Salgueiro
Contos da Geração de Concreto
Vitor Luiz Leite
O tempo morreu de fome!
Os sonhos engordaram, sob a parede que ruía.
O céu choveu fogo e cinzas.
Mas nós… nós sorrimos e cantamos; por mais um dia.
se tudo fosse feito de um doce e açucarado
se a onda no mar fosse verde, esperançado
se o vermelho das bandeiras não fosse de sangue derramado
O mestre; missão.
A juventude; de marfim e ilusão.
A pureza morta no corredor confuso.
Os erros que ventam nas valetas além pulso.
[Ó pureza perdida, entre páginas de livros velhos e mofados]
A sujeira; cama bagunçada.
A infâmia; o demônio na garrafa.
O acerto de contas com o moribundo.
A homeopática destruição do mundo.
Macacos dançarinos
feitos de concreto são
Não pela força de paladinos
mas por serem filhos do clarão
[Dancem!
Dancem!
Comemorem!]
É a festa em que o barqueiro ébrio
aguarda sentado no canto
o primeiro sóbrio ronco
do bom menino mais sério
Breve século de pólvora e carvão.
Eram os extremos, anfitriões da escravidão.
O homem e o abismo.
O medo e o pessimismo.
A cantiga; o niilismo.
A certeza do doméstico precipício.
Marchem comigo, crianças, ao cemitério!
Rebolem nas covas, brinquedos deletérios.
Amanheçam com certezas de futuro abjeto.
Seja bem-vinda…
[delicada e quebradiça Geração de Concreto]