Sobrevida
Luis Filipe Rocha de Almeida
Sobrevida
Sinto que nada sei
Já não conheço nem reconheço
Não medito nem ajo
Não possuo reconhecimento de efeito ou causa
Não distingo a lucidez da loucura
Não sei qual me controla ou orienta
Não reconheço mais amizade ou amor
Já não falo nem penso
Já não respiro nem vivo
Sobrevivo.
Resta-me o escuro da tristeza
E a solidão na cidade repleta de máquinas.
Luis Filipe Rocha de Almeida nasceu em 25 de novembro de 1956, em Portugal, país em que viveu até 1977, quando completou 20 anos. Nessa época, imigrou para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, Capital, onde reside até hoje. Na mesma cidade, em 1984, constituiu família. É formado em Direiro, exercendo a advocacia. Quando se mudou para o Brasil, fê-lo sozinho, o que, de alguma forma, exigiu-lhe um maior esforço de adaptação, mas também uma maior liberdade de ação. Do interior de Portugal, jogou-se, de um dia para o outro, na imensidão de São Paulo. Neste livro, todos os poemas foram escritos nesse período de espanto e adaptação, revolta e aceitação.